Home » Artigos » Como surgiram os Restaurantes?

Como surgiram os Restaurantes?

Antes do século XIX, a palavra restaurante transmitia a idéia de algo regenerativo. Na França as pessoas tinham o hábito de sentar-se no restaurante, debilitadas, e pediam um caldo para restaurar as forças; o consumê (caldo temperado com pedras preciosas, caso o médico recomendasse). Daí surgiu à idéia de que o restaurante surgiu do consumê. Isso perdurou até o inicio do século XIX. (SPANG, 2003)

Somente após esse período é que o restaurante passou a ser visto como um espaço social urbano, até então quando se falava em restaurante, à idéia que se tinha era a de restaurar.

Por volta de 1765, um parisiense conhecido por Boulanger (padeiro em francês) abriu seu estabelecimento, colocou uma frase com a seguinte frase: venid ad me ommis qui stomacho laboratis, ego restaurado vos, que significa: vinde a mim, vós que trabalhais, e restaurarei vosso estomago. Seu caldo um regoût (preparo composto com vários ingredientes ensopados a base de um tipo de carne), tinha o poder de reestabelecer as forças das pessoas debilitadas. (SPANG, 2003)

Até o século XIX, os estabelecimentos que comercializavam alimentos na França eram poucos. A maioria dos estabelecimentos que serviam alimentos aos viajantes eram as tabernas. Quem freqüentava as tabernas geralmente eram pessoas simples que ali comiam e bebiam o que se tinha para oferecer. Alem das tabernas existiam também os pequenos hotéis.

Alem do interesse pela comida, a culinária já era conhecida e praticada nas casas da nobreza, já era um meio de envolvimento social, cultural e político entre as pessoas na França. Os primeiro restaurantes de Paris eram beneficiários do sistema de privilégios e status do antigo regime francês (existiam pratos que eram exclusivos dos nobres). (PITTE, 1998)

Spang (2003), trás uma outra versão sobre a origem do restaurante, a de que, a instituição do livre comércio e a abolição das guildas (associação de artesãos que praticavam a mesma atividade) qualquer pessoa tinha o direito de montar seu estabelecimento, vender comida sem restrições. Ela afirma que os primeiros restaurantes surgiram de uma rivalidade entre a culinária e a medicina. E que só a partir da revolução francesa foi que os estabelecimentos que comercializavam alimentos passaram a ser legalizados, até então eram vistos como ilegais. Passando a ser desejados e ostentados pelos visitantes, tornando-se mais refinados.

Segundo Pitte (1998), em 1782 foi fundado o primeiro restaurante como o conhecemos (com clientes escolhendo porções individuais em um cardápio, aguardando em suas mesas, com horários fixos) foi o Grande Taverne de Londres, por Antoine Beauvilliers, na rua de Richelieu, em Paris, que permaneceu 20 anos sem rival.

O surgimento dos restaurantes no Brasil acompanha o período da urbanização, época em que o ato de alimentar-se ao longo do dia foi se tornando cada vez mais difícil de ser exercido em casa. As jornadas de trabalho carregadas, as distâncias maiores entre o local de trabalho e a residência, o tráfego intenso das cidades levam as pessoas a fazerem refeições fora do lar. É a mesma necessidade prática que fazia, no passado, com que os restaurantes fossem construídos à beira das estradas, em casas de pouso, locais onde viajantes e passantes paravam para restaurar as forças. (MELO, 2010).

A chegada da família real ao Brasil, em 1808, impulsionou o surgimento dos restaurantes no país. A chegada da Corte formada nos hábitos europeus, com exigências próprias do seu paladar, A abertura dos portos (com a possibilidade de entrada de novos ingredientes) também teve sua parcela de contribuição para o desenvolvimento do setor. Foi na Corte, no Rio de Janeiro, que apareceram os mais importantes, inicialmente instalados em hotéis, mas também como estabelecimentos independentes, chamados de leiterias ou confeitarias. O mais antigo restaurante do Rio de Janeiro ainda em funcionamento é o Bar Luiz, fundado em 1887, na rua da Carioca. Outro ícone da cidade em atividade fica na rua Gonçalves Dias. É a Confeitaria Colombo, de 1894, que abrigou pacíficas reuniões de senhoras elegantes em torno de chávenas de chá, bem como inflamadas tertúlias intelectuais de escritores como, por exemplo, Olavo Bilac.

Melo (2010) afirma que em 1881 foi fundado o restaurante italiano O Carlino (rua Vieira de Carvalho – centro de São Paulo), impulsionado pela imigração italiana, oferecendo no cardápio massas, pizza e vinho nos quais são motivos para a sociabilidade da comunidade. Entre os restaurantes mais tradicionais da cidade de são Paulo, podemos citar também, a cantina Castelã fundada em 1924, no Brás. O período migratório marca o cenário dos restaurantes. Os melhores e mais variados portugueses estão no Rio. Os japoneses, que em São Paulo ganharam notoriedade a partir dos anos 80, já estavam há muito estabelecidos no bairro da Liberdade.

Nesse mesmo período surgem também os restaurantes franceses, fortalecendo a tradição da gastronomia francesa. A existência de bistrôs tradicionais corresponde ao mesmo movimento que, no cenário atual, explica a existência de restaurantes de cozinha contemporânea, fusion ou de bases étnicas. Um movimento que reflete a existência de uma clientela que não busca só comida, mas também prazer e cultura.

Os restaurantes são normalmente lugares onde pessoas se encontram por diversas razões. O fato é que sua evolução vem acontecendo desde muito tempo e ainda não está concluída, ate porque, seria difícil vislumbrar a restauração como algo estático, que não evoluísse em termos de opções, estratégias e tecnologias.

Referência Bibliográfica

MELO, Josimar. Restaurantes surgem para matar fome de convívio. Disponível em http://www1.folha.uol.br/fol/brasil500/comida14.htm. Acesso em 15 de setembro de 2010.

PITTE, Jean-Robert. Nascimento e expansão dos restaurantes. In: ________. História da alimentação/ sob a direção a direção de Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari: [tradução de Luciano Vieira Machado e Guilherme J. F. Texeira]. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. 885p.

SPANG, Rebeca L. A invenção do restaurante./ Rebeca L. Spang; tradução de nota assessoria. Rio de Janeiro: Record, 2003. 391p.

Leia Também


Sobre: Maria Clara

Consultora em Alimentação e Nutrição - Graduada pela universidade Federal do Ceará - UFC. Bacharela em Saúde - Universidade federal da Bahia - UFBA

Gostou deste artigo??? Então torne-se fã do MC Nutrir no Facebook!!!


  1. Thaysa disse:

    Quando foi publicado esse artigo?


Deixe seu comenário